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What If: Episódio 3 - Crítica do Chippu

Nick Fury recebe o holofote que sempre mereceu dentro do MCU.

Este texto contém spoilers do terceiro episódio de What If...?


Nick Fury (Samuel L. Jackson) é, tradicionalmente, uma figura dos bastidores. O super-espião junta equipes, aparece em outros filmes e mexe os pauzinhos por trás das cenas, mas raramente assume o protagonismo, afinal seu negócio é nas sombras. Até Invasão Secreta estear, sua maior história no MCU será o quadrinho "Fury's Big Week", no qual vemos o diretor da SHIELD recrutando os membros da Iniciativa Vingadores, o outro lado dos filmes da Fase 1 da Marvel e a fonte de inspiração para o terceiro episódio de What If...?


Batizado de "O Que Aconteceria Se... O Mundo Perdesse Seus Heróis Mais Poderosos?", o capítulo imagina um assassino eliminando, um por um, os membros dos Vingadores. Tony Stark, Thor, Clint Barton e assim vai. Cabe a Fury e Natasha Romanoff (dublada por Lake Bell) descobrir quem é o responsável por essas mortes e qual sua motivação. São 30 minutos de um mistério estilo Agatha Christie ou Hitchcock, com o maior espião da Marvel sendo colocado - semelhantemente ao visto em Capitão América: O Soldado Invernal - na posição na qual normalmente deixa os outros: no escuro e sem conhecimento.


Em alguns momentos do episódio, o Agente Coulson (o sempre agradável Clark Gregg) relembra Fury sobre seu papel na Iniciativa, sobre sua posição não só como espião como também herói. O personagem de Samuel L. Jackson é quase onipresente no MCU, mas há um forte argumento a seu favor na categoria de "menos utilizados" dentro do baú regido por Kevin Feige. Sim, ele sempre aparece. Mas quantas vezes Fury realmente foi proativo? Talvez essa seja uma das razões por trás da qualidade de O Soldado Invernal, e deste episódio.


O arco de Fury neste episódio é, ao descobrir quem é o assassino, encontrar respostas para si mesmo. Jackson faz um trabalho primoroso de dublagem, o melhor de um ator principal do MCU na série até aqui, emprestando sua voz a momentos icônicos refeitos ou completamente alterados. Em determinado ponto, Loki (Tom Hiddleston) vem à Terra cobrar a cabeça do responsável pela morte do seu irmão, e Fury precisa impedir a invasão asgardiana sem Homens de Ferros ou monstros verdes. Vê-lo trabalhando com eficácia contra deuses e poderes alienígenas, sem apelar por exemplo para o pager da Capitã Marvel, nos lembra por que a palavra "super" está antes de "espião" em sua descrição de personagem, e reforça seu papel como peça-chave deste vasto universo.


Aliado ao diretor da SHIELD está Natasha Romanoff. Bell faz uma boa imitação de Scarlett Johansson, mas diferente de Josh Keaton como Steve Rogers no primeiro episódio de What If, falta um tempero adicional na sua tentativa de substituir a atriz original da Viúva Negra. Isso está longe de ser uma crítica a seu trabalho como dubladora, que é cheio de nuance e emoção como deve ser, mas é inegável que, ao ser colocada ao lado de outros nomes dos filmes - Mark Ruffalo, Jeremy Renner, sem falar do próprio Jackson - há uma desconexão.


O mistério em si não é o mais difícil de se desvendar. Pistas são deixadas em cada uma das mortes, especialmente na de Tony Stark, e fãs aguçados do MCU rapidamente vão chegar à conclusão sobre o responsável. O episódio, entretanto, não entrega suas cartas de uma vez só, e mesmo tendo encontrado a resposta antes da mesma ser revelada, eu não achei o enredo previsível ou chato. Assim como no capítulo passado, What If abraça totalmente as possibilidades trazidas por universos e linhas do tempo alternativas. Se todos os Vingadores podem morrer, o que mais está liberado fazer?


A solução do mistério é satisfatória e interessante, trazendo para o MCU uma imagem inédita e, provavelmente, capaz de agradar muitos fãs. Sua conclusão, tal qual os capítulos anteriores, nos convida a imaginar e sonhar com os próximos acontecimentos desde universo alternativo, com o nascimento de um novo grupo de Vingadores e, acima de tudo, com um Nick Fury mais presente e ativo.