The Boys: Extremismo político, fake news e paternidade marcam primeiros episódios

The Boys: Extremismo político, fake news e paternidade marcam primeiros episódios

Temporada começa com ritmo acelerado, novas tramas e personagens interessantes

Alexandre Almeida
13 de junho de 2024 - 16 min leitura
Notícias

Em entrevista recente, Eric Kripke, showrunner de The Boys deixou bem claro seu pensamento sobre possíveis críticas ao novo ano. “Eu claramente tenho uma perspectiva e não tenho vergonha de colocar essa perspectiva na série. Qualquer um que queira chamar o programa de ‘woke’ ou algo assim, tudo bem. Vá assistir outra coisa. Mas certamente não vou fazer rodeios ou pedir desculpas pelo que estamos fazendo”, disse. Ele ainda comentou sobre aqueles que acreditam que Capitão Pátria (Antony Starr) é um herói: “O show é muitas coisas. Sutil não é uma delas. Então, se essa é a mensagem que você está recebendo, eu apenas lavo minhas mãos.”

E Kripke tem toda razão. The Boys nunca foi sutil. Tanto para o bem, quanto para o mal da série. As críticas e sátiras feitas a partir dos heróis sempre estiveram na cara do espectador. O comportamento fascista do Capitão Pátria, idem. O grande barato da série é acompanhar esse mundo “realista”, onde heróis são controlados por grandes corporações e a visão da maioria deles sobre o resto do mundo: peões descartáveis no tabuleiro.

Se essa sátira se perdeu no meio de um mar de piadas escatologicamente propositais - e muitas sem graça - ou em cenas gore e com conteúdos sexuais gratuitos, o início da quarta temporada prova que a força do discurso da série ainda existe e é mais atual do que nunca.

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Extremismo e polarização política


A terceira temporada de The Boys termina com o Capitão Pátria apresentando Ryan (Cameron Crovetti) para o mundo como seu filho. Em meio a multidão, um apoiador de Luz-Estrela (Erin Moriarty) joga uma garrafa no super-herói e ele revida com o raio laser, matando o homem. Após alguns segundos de silêncio, o público começa a gritar apoiando a atitude do herói. O crime é parte central do início da quarta temporada.

Luz-Estrela agora tem uma fundação e sua imagem é utilizada como exemplo pelos opositores ao Capitão Pátria. Do outro lado, os que apoiam o herói criam fake news e outras atrocidades para tentar manchar a imagem da ex-heroína. E é nesse cenário que duas novas adições ao elenco vão entrar. São elas: Sister Sage (Susan Heyward) e Firecracker (Valorie Curry).


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A primeira é conhecida como a pessoa - e ela deixa isso bem claro - mais inteligente do mundo. Capitão Pátria vai atrás dela após Ashley (Colby Minifie) mostrar uma série de novas opções de heróis para Os Sete. Ele acaba encontrando em Sage aquilo que faltava no grupo: inteligência e estratégia. Se existe uma polarização e o outro lado se articula intelectualmente e socialmente, os Supers precisam agir da mesma forma para não perder a grande massa que os apoia. A referência ao imperador romano Júlio César é perfeita no papo entre o Capitão e Sage. Ele é o imperador e ela a cabeça, assim como Marco Antônio foi para César, Joseph Goebbels para Hitler e Steve Bannon para Trump.

Logo de cara, ela arma um plano que leva um grupo de fãs do Capitão Pátria para um encontro, que na verdade é uma armadilha. Os três são mortos por Profundo (Chance Crawford), Trem-Bala (Jessie T. Usher) e o novo Noir (Nathan Mitchell). Sage, disfarçada de Starlighter, começa uma confusão com os apoiadores do Capitão Pátria na frente do tribunal onde ele está sendo julgado e uma briga generalizada acontece. Trem Bala deixa os corpos dos três fãs no meio dos apoiadores de Luz-Estrela e as mortes colocam a mídia apoiadora dos heróis contra a antiga heroína da Vought.


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Dando continuidade ao plano, Sage enxerga em Firecracker a máquina de Fake News que os seguidores do Capitão Pátria precisam para ser inflamados. A série utiliza diversas atrocidades criadas nos últimos anos, no mundo real, como falas para a personagem. Ela associa Luz-Estrela com Hollywood e pedofilia, tráfico de crianças e trabalho com Oprah e Tom Hanks na criação de serviços satânicos. “Se pedir um cachorro-quente, te dão um menino. Se pedir um taco, te dão uma menina. Um combo vale uma criança forçada a fazer cirurgia trans”, ela diz durante uma conferência. E claro, sem ter como provar. Seria ainda mais cômico, se não estivéssemos expostos a isso o tempo todo.

O conflito entre Firecracker e Luz-Estrela ainda está longe de acabar e um boato criado por Annie no passado, durante um concurso de beleza, é o grande estopim para o ódio da nova integrante d’Os Sete. O trabalho dela ao entrar no grupo logo se prova válido, quando um apoiador armado invade a fundação de Luz-Estrela procurando por crianças sequestradas.

O sucesso do trabalho de Sage na estratégia de minar os opositores do Capitão Pátria começa a dar mais espaço para ela dentro da Vought e o líder a coloca no lugar de Ahsley como CEO. A forma como ele trata Ashley é mais uma - nada sutil - prova do pensamento de raça superior do personagem. Ainda não está claro se Sage tem um plano maior seja para o chefe ou para a própria Vought, mas sua cena final no terceiro episódio, em que ela seduz Profundo, deixa ainda mais dúvida sobre isso.

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Bruto x Capitão Pátria pelo amor de Ryan


Se o contexto social e político é aquele caminhão que vem atropelando os episódios com referências e deboches, o tema da paternidade e do amor entre pais e filhos é central para guiar os três primeiros episódios do quarto ano de The Boys. A principal frente está no grande conflito da série: Billy Bruto (Karl Urban) contra Capitão Pátria. Desde que descobriu ser o pai de Ryan, o super-herói vem tentando colocar ele ao seu lado e o fim da temporada passada dava a entender que ele havia encontrado esse caminho.

Entretanto, Ryan foi uma criança que, ao contrário do Capitão Pátria, foi criado para uma vida normal, sem sentir o gosto de ser um Supe ou aprender que aqueles que não tem poderes são uma raça rebaixada. É nessa diferença de pensamento e na nova realidade que Ryan tem que viver, que o conflito entre pai e filho começa a surgir. O líder d’Os Sete quer dar ao garoto tudo que ele afirma não ter tido quando jovem: um pai presente, que faça suas vontades e que mostre algum apreço por ele. Além disso, o fato de estar envelhecendo e colecionando pelos pubianos brancos, ainda coloca o fator da finitude da vida no caminho do herói.


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Por outro lado, Ryan não foi criado para aquele mundo. Ele sente arrependimento quando mata um dublê ao usar a força sem querer. Ele não acha tão interessante assim ver sua imagem vestindo um uniforme igual ao do Capitão Pátria. Aquele mundo artificial da Vought não é o dele.

No outro canto do ringue está Bruto, aquele que criou Ryan como um filho e que, agora, cada vez mais próximo do fim da vida - devido ao uso do composto V - precisa salvar o último resquício vivo do seu amor por Becca. Bruto passa a alucinar e ver a esposa morta e é para ela que ele promete salvar o garoto, mas seu comportamento destrutivo, que o afastou do seu grupo de trabalho e do filho, ainda deixa marcas no relacionamento dos dois. Ele até pensa em drogar o garoto para sequestrá-lo em um momento, mas quando os dois acabam se entendendo, Bruto desiste da ideia e passa a tentar fazê-la da forma correta.

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As relações familiares continuam por outros segmentos da série. Hughie (Jack Quaid), que se afastou do pai (Simon Pegg) por causa de sua missão contra os super-heróis, o encontra em coma no hospital após um derrame. Ele agora precisa encarar a mãe, que abandonou a família quando ele ainda era criança e retornou para cuidar do pai. Trem-Bala precisa enfrentar novamente seu irmão e antigo treinador, agora paraplégico após o tiro da temporada passada. Leitinho (Laz Alonso) precisa ajudar a ex-mulher com Todd, uma figura paterna para a filha deles. Até Profundo - e o seu chatíssimo drama pessoal - ganha contornos mais interessantes com seu relacionamento proibido com o polvo Ambrosius - dublado por Tilda Swinton.

The Boys x Neuman e um novo aliado


No meio disso tudo, o time liderado por Leitinho da Mamãe continua seu plano para matar os super-heróis, mas agora enfrenta uma ameaça ainda maior: Victoria Neuman (Claudia Doumit) como vice-presidente.

Logo no início da temporada descobrimos que Robert Singer (Jim Beaver) está trabalhando com a CIA em um plano para matar Victoria, antes que ela exploda sua cabeça e assuma a presidência. É nessa missão que eles invadem um hotel onde a comitiva de Singer e Neuman aguardam a contagem dos votos. Francês (Tomer Capone) e Kimiko (Karen Fukuhara) tentam colocar um ácido no colírio de Victoria em seu quarto, mas são caçados por Zoe (Olivia Morandin), a filha de Neuman, que recebeu o composto V da mãe na última temporada. A menina usa tentáculos assassinos na boca para tentar matar os dois, mas eles escapam. Do lado de fora, Hughie e Butcher tentam matar Victoria, mas ela sobrevive até a um tiro na cabeça.

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Uma das partes mais interessantes aqui está no relacionamento entre Bruto e Joe Kessler, o novo personagem de Jeffrey Dean Morgan. Os dois já trabalharam juntos em missões para o governo e formam uma dupla paralela ao trabalho da CIA, que está focada em proteger o presidente eleito. É um ponto que pode se tornar mais importante na temporada, mas ainda não foi muito explorado.

Precisando de provas contra Capitão Pátria, Annie e Hughie encontram Trem-Bala com a família na rua. Antes que Annie o expusesse na frente dos sobrinhos e do irmão, Hughie pede que ela espere e o super-herói foge. Entretanto, Trem-Bala sabia que eles estavam lá e, por causa da boa ação de Hughie, acaba entregando aos dois as provas que mostram que os três corpos na manifestação foram uma armação. Essa atitude do herói, mais as humilhações que ele passa na Vought com o Capitão-Pátria, fazem com que Leitinho o chame para colaborar com o time dele. Essa nova aliança pode abalar Hughie e a confiança dele no grupo, aliás, a morte de sua antiga namorada, causada por Trem-Bala, foi o início de toda essa história. Será que o ciclo vai se fechar com uma parceria inesperada?

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Francês, Kimiko e a sombra do passado


Quem ganha um arco novo mais interessante na história é Francês. Serge reencontra uma pessoa do seu passado, Colin (Elliot Knight), que trabalha na fundação de Luz-Estrela. A amizade dos dois se mostra mais do que isso, quando o ativista se fere no conflito contra os apoiadores do Capitão-Pátria e ele e Serge acabam dormindo juntos. The Boys coloca Francês no meio de uma tórrida paixão com Colin, entretanto, ele está sempre fugindo e logo descobrimos o porquê. Serge matou toda a família de Colin em uma missão. Todo esse drama é bem-vindo para o personagem que sempre esteve na mira dos fãs como uma possível morte no time. Ter pelo que lutar, sofrer e perder, dá ao Francês uma nova carga de energia para a temporada.

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Da mesma forma, Kimiko encontra sombras do seu passado e uma célula do Shining Light Liberation Army atuando em NY. Quando ela e Serge vão investigar - e ele começa a ter uma viagem alucinógena -, ela acaba encontrando uma outra garota, que a chama pelo nome. A jovem, que tem uma cicatriz no rosto, foge antes de qualquer outra informação ser revelada.

O relacionamento de Francês e Kimiko começa a ser abalado por esses dois novos caminhos que suas tramas tomam e isso deve se refletir ao longo da temporada, que pode acabar mal para um dos dois.



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