The Acolyte tem potencial, mas sofre para encontrar o caminho certo

The Acolyte tem potencial, mas sofre para encontrar o caminho certo

Primeira metade da nova série de Star Wars no Disney+ começa apressada, mas tem bons elementos que precisam ganhar mais importância na trama

Alexandre Almeida
4 de junho de 2024 - 7 min leitura
Notícias

Andor e The Mandalorian são dois ótimos exemplos em como essa empreitada de Star Wars no Disney+ pode dar certo. Ambas as séries passam por um excelente trabalho de criação de personagens, que, alinhado com o lore já pré-estabelecido com toda a Saga Skywalker e derivados - como Clone Wars e Rebels - expande essa Galáxia Tão Tão Distante que conhecemos desde Uma Nova Esperança.

The Acolyte, nova série da Lucasfilm para o streaming, tem um trabalho um pouco mais complexo. Ela se passa 100 anos antes de A Ameaça Fantasma, em um momento bem diferente do que conhecemos desse universo. A nossa maior referência está nos protagonistas da série: os Jedi. É uma abordagem interessante, pensando que - ao menos nos quatro primeiros episódios que assistimos - a história tem um foco grande na Ordem Jedi e algumas consequências de sua presença na galáxia. Não é à toa que o terceiro capítulo, totalmente focado no passado de Mae (Amandla Stenberg) e seu encontro com Sol (Lee Jung-jae), é o melhor deles. E o grande diferencial está na cadeira da direção.

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Se os dois primeiros episódios nos levam a pensar que The Acolyte será uma nova Obi-Wan Kenobi, com um plot raso e apressado, é no capítulo dirigido pelo sul-coreano Kogonada que a série realmente mostra um potencial interessante de expansão de universo e um propósito para existir. O diretor utiliza todos os quase 40 minutos de história para contar cada detalhe do passado da personagem central da trama, vivida por Stenberg. Kogonada dirigiu o ótimo After Yang e repete aqui a dobradinha com Jodie Turner-Smith (Queen & Slim), que surge como a Mãe Aniseya, a líder de um grupo de bruxas que entendem a Força de uma forma diferente dos Jedi. Mais uma vez, assim como foi com Ahsoka e Mandalorian, Star Wars volta a jogar mais com a fantasia e o misticismo, algo que parecia perdido com as abordagens bélicas e políticas que a franquia tomou no passado.

Essa calma e refino na direção, infelizmente, passam longe dos dois primeiros episódios, que serão lançados na estreia da série no Disney+. A pressa da diretora, roteirista e showrunner Leslye Headland para já começar a história com uma “reviravolta” daquilo que é mostrado no marketing de The Acolyte é sentida e prejudica demais a apresentação desse novo momento de Star Wars que vamos acompanhar. Toda a questão em volta da personagem de Amandla Stenberg é rasa e desinteressante. Somos jogados em diversas situações e cenários em pouquíssimo espaço de tempo, o que deixa a trama rasa e sem a real importância do drama que ela quer passar. Isso é algo que pode prejudicar - e muito - a continuidade de parte do público na trama.

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Se há um grande mérito nos dois primeiros episódios - além de uma cena de luta bacana e outra ok -, ele está em Lee Jung-jae. Sol é um mestre Jedi que se aproxima de figuras como Qui-Gon Jinn (Liam Neeson) e o Obi-Wan de Alec Guinness, ao trazer uma certa predisposição a seguir mais sua intuição do que as regras da Ordem Jedi. Além disso, o drama do mestre e aprendiz, tão comum em toda a saga, ganha contornos dramáticos seguros na atuação do ator, com suas expressões e seu sotaque marcantes. É sempre interessante acompanhar o personagem quando ele está em tela, algo que não dá para dizer, até o momento, dos jedi Jecki e Yord, personagens de Dafne Keen e Charlie Barnett, respectivamente.

A série tem grande potencial para contar uma história realmente instigante sobre os Jedi e sua imagem de “Cavaleiros da Paz” e os primeiros episódios nos dão um vislumbre disso. “Não podemos levar isso para o Alto Conselho. Eles terão que levar o assunto para o Senado e isso pode instaurar uma crise”, diz uma personagem ao discutir a série de assassinatos de integrantes da Ordem. É um tipo de situação nova, pelo menos nos live-action, envolvendo personagens que sempre foram vistos como sábios. Além disso, The Acolyte não pode escapar da discussão sobre a missão dos Jedi pela galáxia para cooptar mais jovens e aumentar o número de cavaleiros, algo que se mostra central na história de Mae.

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The Acolyte tem potencial para ser um bom suspense envolvendo aqueles que sempre foram os mocinhos da história. Personagens como Ahsoka, o Luke de Os Últimos Jedi, e até o próprio Anakin, já nos mostraram que o questionamento do funcionamento da Ordem Jedi e a forma como entendem a Força, pode tornar Star Wars ainda mais marcante. Uma série que se apresenta como uma história de vingança de um possível aprendiz de Sith e o ressurgimento dessa sombra na Galáxia, precisa se aprofundar nessas contradições da fé, do que é certo ou errado e qual o papel da luz e da escuridão nisso tudo. Ser apenas mais uma historinha de capa e espada, com um mestre e um aprendiz lutando, é tudo que não precisamos.

Andor nos mostrou isso e Mandalorian - em seus melhores momentos - também. Fica a torcida para que a segunda metade de The Acolyte possa ser mais como o episódio de Kogonada e menos Kenobi, como os dois primeiros. Potencial tem, só precisa encontrar qual caminho percorrer.


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