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Loki: Episódios 1 e 2 - Crítica Sem Spoilers

O maior golaço da Marvel desde Vingadores: Ultimato

Quais duas palavras você usaria para descrever Loki (Tom Hiddleston), o personagem? Talvez engraçado e esperto? Trapaceiro e sagaz? Carismático e traiçoeiro? Seja lá qual for sua escolha, você pode aplicá-las, também, à nova série da Marvel no Disney+, que estreia nesta quarta-feira (9) no serviço de streaming e cujos primeiros episódios já foram vistos pelo Chippu. Eles dão uma ótima primeira impressão do que deve ser a história mais maluca e impactante do estúdio em termos de seriados até aqui.


Iniciada após Loki fugir com o Tessaract nas cenas de viagem no tempo de Vingadores: Ultimato, a série acompanha o deus da trapaça sendo preso pela Autoridade da Variância do Tempo (TVA), uma espécie de polícia temporal criada pelos Guardiões do Tempo, alienígenas responsáveis por determinar os acontecimentos do universo e impedir que ele se transforme num multiverso. Isso, segundo eles, causará uma guerras e caos entre as realidades.


Lá, o personagem recebe duas escolhas após interações com a caçadora B-15 (Wunmi Mosaku), a juíza Ravonna (Gugu Mbatha-Raw), a inteligência artificial Senhorita Minutos (a incrível Tara Strong) e o Agente Mobius (Owen Wilson, hilário e perfeito no papel). Ou ele é apagado da existência, ou ajuda a TVA a investigar os crimes de um variante perigoso.


Aliás, a palavra variante talvez seja a mais importante desses primeiros episódios. Esse é o conceito-âncora da série. O Loki visto aqui não é o mesmo morto por Thanos em Guerra Infinita, mas sim o maníaco vilão do primeiro Vingadores. A frase “eu sou Loki de Asgard e tenho um fardo de um glorioso propósito,” que não ouvimos há um bom tempo no MCU, certamente trará memórias de quando o papel do personagem era mais maléfico. Ele fez algo diferente ao fugir com o Tessaract e abriu uma linha do tempo, por isso é descrito como uma versão variante do vilão.


Se essas variantes não forem eliminadas, multiversos são criados e a “linha do tempo sagrada”, na qual todas as produções da Marvel até então existem, é destruída e, segundo Mobius, “loucura” acontecerá. Considerando, entretanto, que coisas como Doutor Estranho no Multiverso da Loucura (não é acidente o uso da palavra pelo personagem de Wilson) e What If…? estão vindo aí, é possível questionar se as afirmações do TVA e os Guardiões são verdade.

Então começa uma dinâmica meio Marvel, meio história de detetives estilo Bad Boys ou Máquina Mortífera e meio viagem no tempo como Doctor Who. A mistura de gêneros é brilhante e se torna mais clara no segundo capítulo, que com 54 minutos faz um malabarismo entre essas dinâmicas sem nunca demonstrar nenhum esforço e apresentando a provável estrutura dos capítulos seguintes.


Se isso tudo parece complexo demais, não se preocupe. Com 51 minutos, o primeiro episódio trabalha toda a exposição necessária com humor, leveza e inteligência, apresentando de forma divertida todas as ideias a serem exploradas, enquanto Loki serve como nosso guia e representante, culminando com uma descoberta reveladora sobre o poder e importância do TVA.


É preciso lembrar, entretanto, que esse é o Loki do primeiro Vingadores, antes de se transformar numa figura mais heróica em Thor: Ragnarok. Digo isso porque a série mostra o trapaceiro mais agressivo, orgulhoso e ambicioso. Hiddleston volta a esta versão do deus sem desperdiçar um segundo, trazendo o carisma e charme já conhecidos do personagem para a tela. A posição onde se encontra, preso e forçado a investigar variações temporais, o coloca em uma série de situações inéditas e é sempre divertido ver como ele lida com cada uma delas.


Tão importante quanto Hiddleston é o trabalho de Wilson como Mobius, o mentor e parceiro do asgardiano em suas missões. Os dois constantemente se desafiam, e surpreendem na química em tela. O histórico cômico de Wilson é claramente uma arma para o seriado, mas seu personagem nunca se torna uma espécie de abestalhado ou palhaço, e se mostra páreo para o intelecto de Loki.


Não podemos entrar em spoilers aqui, mas os dois primeiros episódios deixam claríssimo qual será o gancho narrativo do arco geral desta primeira temporada, definindo destinos fascinantes para o personagem principal e apresentando um adversário à altura. Apenas tocamos a superfície da série. Imagine quando mergulharmos de vez neste multiverso da loucura?