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EXCLUSIVO: Barbara Paz fala sobre filmar os últimos dias de Hector Babenco em seu documentário

Babenco será o representante brasileiro na busca por uma vaga no Oscar 2021

Como é a sensação de filmar os últimos momentos da pessoa que você mais ama? A atriz e diretora Barbara Paz passou por isso ao filmar Babenco - Alguém tem que ouvir o coração e dizer: Parou, documentário sobre seu falecido marido, o diretor Héctor Babenco, que fez filmes como Carandiru, Ironweed, Pixote e Meu Amigo Hindu.


Em entrevista exclusiva ao Chippu, a diretora do filme - representante brasileiro na briga por uma indicação na categoria de Melhor Filme Internacional e Melhor Documentário no Oscar desse ano - falou sobre essa experiência única e a urgência que ela sentiu enquanto estava no hospital vendo seu marido ficar mais fraco. Para ela, esse era um momento que não podia ser desperdiçado.


“Partiu de mim [a ideia do filme], obviamente eu sempre quis fazer um documentário sobre esse homem, eu ficava admirada que nunca alguém tinha feito um documentário sobre ele, sobre a história dele, dos filmes dele," ela disse. "Foi num leito de hospital, num dia onde ele estava muito mal, estávamos internados, e eu fiquei com medo de que não houvesse mais tempo de captar. Então me deu uma urgência.”


Em parte, fazer o documentário foi uma tentativa de manter Héctor Babenco animado em meio a sua lutava pela sua saúde “A gente não sabia que ia ser um filme sobre o fim. Ia ser um filme de memória, ele estava ficando cada vez mais fraco então ele estava também com uma urgência de falar, de deixar registrado, então a gente começou como um grande alento pra ele, um abraço," ela confessou.


O filme mostra que esse processo foi extremamente íntimo. Barbara foi a cinegrafista responsável por registrar os últimos momentos do lendário diretor, que aparece em cenas do documentário literalmente a ensinando a operar a câmera. O resultado é um filme muito próximo da realidade dos dois, mas a diretora explicou que as cenas mais fortes ficaram de fora, tanto para preservar momentos privados do casal quanto para não transformar o filme em algo deprimente.


"Várias coisas ficaram de fora, muito mais fortes do que as que ficaram, porque eu tinha muito material no hospital. Eu poderia ter feito um filme só sobre os últimos dias dele." contou a cineasta. "Mas eu não quis, não era justo com ele fazer um filme fortíssimo só sobre o fim. Eu tinha que contar quem era esse homem antes, quem foi esse homem. Então através do fim eu costuro a vida dele.”


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“Eu cuidei muito para não chegar nesse excesso de melodrama, de tristeza, porque ele não era só isso. Ele era isso também, mas ele também era muito engraçado. Tinha muito humor," ela adicionou. Paz também nos disse que a experiência de ficar atrás das câmeras a aproximou do marido de uma maneira nova. Agora, ambos tinham a direção de longas-metragens como algo em comum.


“Há muitos anos eu venho namorando a direção. Eu sempre me vi mais diretora. Sempre me vi uma pessoa que gostava de coordenar tudo. A fotografia, o figurino, a arte. Eu adoro isso," explicou Barbara. Mas ela não foi a única no casal a notar essa afeição pela arte de dirigir. "Ele sentiu muito isso em mim," ela continuou. "Ele dizia que não era pra eu me render a nenhum outro olhar a não ser o meu.”


“Me ver como diretora… eu acho que eu fui a única pessoa a quem ele obedeceu”, ela disse. “Por isso que deu certo, ele era um leão e não obedecia muito, mas eu domei o leão (risos).”


Confira nossa entrevista completa com Barbara Paz no Chippado, podcast oficial do Chippu.