Jogos Vorazes: A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes faz jus à saga original mas se desenvolve por conta própria

Jogos Vorazes: A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes faz jus à saga original mas se desenvolve por conta própria

O novo filme de Jogos Vorazes estreia em 15 de novembro no Brasil

Bruna Nobrega
13 de novembro de 2023 - 6 min leitura
Notícias

Quando eu li A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes pela primeira vez em 2020, cinco anos após o fim de Jogos Vorazes nos cinemas, eu já imaginava como seria a adaptação de cada parte do livro para as telonas. Todo o universo visual que os filmes da saga criaram, unidos à poderosa escrita de Suzanne Collins, fizeram com que as imagens ficassem claras na minha cabeça.

Três anos depois, enquanto eu finalmente assistia ao resultado, posso dizer que minhas expectativas foram atendidas. Assim como qualquer fã, o diretor Francis Lawrence – responsável por todos os filmes da saga, com exceção do primeiro – está familiarizado o suficiente com o universo de Jogos Vorazes para saber exatamente o que repetir, o que homenagear e o que criar do zero.

Tudo sobre Jogos Vorazes: A Cantiga dos Pássaros e Das Serpentes

Em A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes, voltamos 64 anos antes da história de Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) para acompanhar a juventude do presidente Snow. Como ele se tornou o vilão sem escrúpulos que promove a morte de 23 crianças em uma arena todos os anos?

Na história de origem, Coriolanus – agora vivido pelo quase novato, mas extremamente talentoso, Tom Blyth – é apenas um estudante de 18 anos da Capital, cuja família está sem dinheiro e, por isso, precisa se destacar na Academia se quiser uma chance de uma bolsa na Universidade e um futuro de respeito.

Só que tudo se complica quando ele é designado para ser mentor da garota do Distrito 12, que aparentemente não tem nenhuma chance de vencer a décima edição dos Jogos Vorazes. Apesar das semelhanças na história, Lucy Gray Baird (Rachel Zegler) não poderia ser mais diferente de Katniss. Ela é uma performer nata, ama as câmeras e sabe usar seu charme para conseguir o que quer. Especialmente, ela tem um talento natural na música.



E é aí que Zegler se mostra perfeita para o papel. Ela tem uma ferocidade que se encaixa na determinação de Lucy Gray, ao mesmo tempo que consegue arrepiar qualquer um quando canta a capella. Uma cena específica na arena dos Jogos Vorazes emocionou até a própria equipe nos bastidores da gravação. Nas telonas, ela é ainda mais impactante.

Mas é Tom Blyth o destaque. Apesar da aparência extremamente semelhante a de Donald Sutherland, o ator não tenta imitar seu antecessor, criando uma versão nova de Snow, igualmente poderosa em tela. Mesmo que o roteiro sofra em alguns momentos para deixar clara a ambiguidade de sentimentos do personagem, a virada do vilão é convincente justamente pela credibilidade que Blyth passa no papel.

É difícil reclamar de qualquer coisa do elenco, para falar a verdade. Viola Davis se diverte como a insana Dra. Gaul, chefe dos Idealizadores dos Jogos, enquanto a tortura interna que Peter Dinklage traz ao reitor HighBottom é clara. Hunter Schafer e Josh Andrés Rivera são, respectivamente, uma Tigris Snow e um Sejanus Plinth iguais aos que eu imaginei lendo o livro.

A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes: Conheça os personagens e elenco do novo filme de Jogos Vorazes

O filme perde aqui na divisão de atos. Com 2h40 de duração, acompanhamos a história antes, durante e após os Jogos Vorazes. O primeiro ato constrói todo o novo imaginário de Panem com cenários de tirar o fôlego e um grande cuidado à apresentação dos personagens. O espectador fica vidrado para absorver todas as informações novas e embarcar nesse mundo já conhecido, mas mudado pelo passado.

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Já os Jogos são o grande triunfo do filme. Francis Lawrence coloca o público dentro da arena junto com os tributos e dentro da ação intensa com lutas e estratégias. É a aceleração perfeita para que o tempo passe rápido e a gente não sinta o possível cansaço de um filme longo.

O terceiro ato, no entanto, acaba se perdendo. Nele, acompanhamos Snow indo trabalhar como Pacificador no Distrito 12 e as coisas acontecem de forma tão apressada que já vemos o protagonista fardado em campo, sem passar por qualquer treinamento. Mais tarde, ele já está entrosado com o grupo e andando para um momento de descontração fora do serviço. Qualquer explicação entre as cenas é cortada e o resultado parece apenas uma montagem de várias cenas desconexas.

Há momentos importantes, no final, especialmente para a grande “virada” de Snow, mas o filme acaba perdendo a força justamente no momento em que mais deveria ser poderoso.

De toda forma, Jogos Vorazes: A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes é um filme que explica por que sua história precisava ser contada. Com uma fotografia belíssima e uma trilha sonora impactante, o longa nos leva de volta para Panem, mas apresenta novidades a todo o momento. Se Jogos Vorazes é hoje conhecida como uma das melhores adaptações de grandes franquias, A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes ajuda a saga a manter o título.

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