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Castlevania: 4ª Temporada - Crítica do Chippu

Conclusão da série não alcança os mesmos altos das primeiras temporadas, mas ainda é perfeita para os fãs

Uma das grandes surpresas agradáveis nas produções de videogames recentes foi a série animada de Castlevania criada por Warren Ellis na Netflix. Ela não só traz os personagens e locais da clássica franquia de jogos da Konami, como recria o sentimento que muitos tiveram enquanto jogavam graças ao estilo de animação e uma trilha sonora eficaz, levando a mitologia deste mundo tão a sério quanto os fãs acham que ela deve ser tratada.


A quarta temporada, que chega nesta sexta-feira (14) à Netflix, encerra a série e as histórias de Trevor Belmont (Richard Armitage), Sypha Belnades (Alejandra Reyonoso) e Alucard (James Callis). Assim como o terceiro ano de Castlevania, essa conclusão sofre de uma falta de foco narrativo que estava mais presente nas duas temporadas iniciais, mas ainda entrega momentos de muito fanservice, animação competente e, especialmente, uma jornada divertida.


Sempre tratando de vampiros, criaturas infernais e monstros, Castlevania expandiu seu mundo rapidamente, abraçando mais conceitos dos jogos e recriando com fidelidade o visual conhecido pelos fãs, seja pelo castelo de Drácula ou nos demônios assolando vilas e cidades pela Europa fictícia vista aqui. Essas maiores qualidades da série animada continuam presentes, a sensação de um universo vasto, cheio de ideias, com direção artística impactante e designs icônicos.


Parte do mundo de Castlevania pode parecer algo vindo do sonho de um adolescente gótico e hardcore, mas sua assinatura e impacto são inegáveis. Há um claro estilo, identidade visual e sensação que a série cria através dos desenhos de personagens e monstros icônicos, dos tipos de história que conta e da abordagem com a qual as conta. Podemos debater se os argumentos filosóficos apresentados por personagens como Isaac (Adetokumboh M'Cormack) e Saint Germain (Bill Nighy) são realmente profundos ou apenas tem a aparência de algo complexo, mas eles sem dúvidas adicionam uma camada de seriedade que intriga a audiência, chamando atenção para pensamentos que você não esperaria de uma adaptação de games.


Quase tudo em Castlevania é levado muito a sério. Os diálogos, por hora, parecem ter vindo de uma dissertação filosófica, e frequentemente podem gerar um rolar de olhos, mas é difícil não ser intrigado quando eles são levantados por vozes tão impactantes como a desse elenco. Callis, M'Cormack e Nighy especificamente, podem transformar até mesmo uma receita de bolo em algo de peso graças à maneira única com a qual falam. Armitage e Reynoso interpretam os protagonistas e trazem mais leveza e humor, algo que impede a série de se perder na seriedade e facilitam a entrada da audiência neste mundo.


Afinal de contas, essa é uma adaptação de games. Grande parte do seu prazer vem de ver Trevor Belmont usar as armas clássicas dos jogos e, nesse sentido, Castlevania entrega. Algumas lutas importantes deixam a desejar no quesito visual, especificamente uma climática batalha envolvendo Isaac, enquanto outras, especialmente as que unem Trevor, Sypha e Alucard, são de arregalar os olhos. Certamente a produção da série tenha tido que escolher aonde alocar seu orçamento, e isso afetou negativamente certas das cenas de ação, mas ainda existe dentro delas uma energia cinemática e dinâmica. Há sempre um quê de velocidade e grandiosidade, mesmo com os desenhos, em alguns momentos, deixando a desejar no nível de detalhes.


Se a criação do mundo, através da animação, dublagem e trilha sonora, funciona muito bem, por outro lado, Castlevania deixa a desejar em sua narrativa. A presença de uma ameaça gigante como Drácula (Graham McTavish) nas primeiras duas temporadas deram à série um senso de direção e clareza que foi perdido depois. A terceira temporada já parecia mais uma aventura paralela do que uma continuação, e a quarta sofre desse mesmo problema. O grande vilão deste grupo de episódios é uma figura super conhecida dos jogos, mas ainda é apresentado de última hora e com pouca preparação, diminuindo o que devia ser um confronto final marcante. Quem tinha a possibilidade de alcançar os mesmos níveis de grandiosidade do vampiro mais famoso do mundo era Carmilla (Jaime Murray), mas seu enredo não tem um desfecho à altura.


Castlevania acaba, então, sem nunca alcançar os mesmos ápices das duas primeiras temporadas. Nada aqui vai superar a batalha final contra Drácula ao som de "Bloody Tears", e isso é um pouco decepcionante. Ainda sim, esses últimos episódios vão dar aos fãs da franquia mais momentos de alegria e diversão com personagens amados. Não é tão épico quanto poderia ser, mas ainda é divertido e o sentimento dos games permanece forte. Não dá pra reclamar.